Rafael Zeni

Publicado em 30/03/2016

Relação entre os pais interfere na vida emocional dos filhos. Entenda!

PAIS COMO SINTOMA

A clínica infantil permite observar uma associação entre conflitos conjugais e implicações no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes. Alguns autores sugerem que a qualidade da relação entre os pais está intimamente ligada ao aparecimento de distúrbios emocionais nos filhos. Por muitos anos o “sintoma psicológico” foi estudado a partir de uma perspectiva individual, centrada apenas no paciente: este era visto como reflexo de sua condição, ou seja, como o problema. Recentes descobertas mudaram essa visão: determinadas condições não dependem unicamente do sujeito que está adoecido. Nestes casos, tanto o surgimento como a manutenção do sintoma podem estar associados à dinâmica na qual o indivíduo está inserido.

A busca por psicoterapia infantil tem aumentado nos últimos anos, sejam por queixas escolares (dificuldades de aprendizagem, por exemplo) ou comportamentais (agressividade, falta de limites, intolerância à frustração etc). E o que podemos notar é que alguns dos sintomas apresentados por essas crianças/adolescentes sugerem uma associação com a relação conjugal dos pais. A exposição da criança às brigas e desavenças no contexto familiar é um fator determinante de estresse, pois geram emoções intensas e que podem manifestar-se por meio de sintomas de ansiedade, agressividade, distúrbio de conduta e depressão, com posteriores dificuldades na adolescência, como conduta antissocial, abuso de substâncias psicoativas (álcool e outras drogas) e envolvimento com a lei, por exemplo.

Quando os conflitos do casal são resolvidos de forma satisfatória e com discussões menos agressivas, o processo de amadurecimento emocional e cognitivo na criança acontece de forma saudável.  A resolução de conflitos familiares de forma agressiva é vivida pela criança como experiência cotidiana de violência. Sendo assim, toda vez que esta criança estiver diante de um conflito, acredita que poderá fazer uso destas mesmas estratégias agressivas que aprendeu em casa.

A postura dos pais frente ao conflito tem função construtiva no amadurecimento emocional da criança — ou destrutiva como abordado anteriormente. Para tanto, ações que evidenciam os esforços para se resolver o conflito, a busca por alternativas e explicações sobre os acontecimentos, indicam que dificuldades são situações que devem ser trabalhadas e discutidas, são alguns exemplos de interação que poderão ajudar para esse crescimento e amadurecimento. Para ensinar ao seu filho o que é maturidade, vai exigir de você mesmo esta qualidade. Que tal colocá-la em prática?

RafaZeni

Sobre o colunista:

Rafael Zeni é formado em Psicologia pelo Centro Universitário São Camilo, psicólogo  clínico   em consultório particular, pesquisador pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das  Clínicas em São Paulo, tutor de conteúdo do projeto SUPERA (Unifesp) e tradutor em saúde  mental pelo GRUPO GEN.

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