Entrevistas

Publicado em 26/07/2017

0

Poeta multimídia Fabrício Carpinejar fala sobre comportamento

Enquanto o mundo espalha ódio, ele fala de amor. Não fala apenas, escreve – e como escreve! O cronista e poeta Fabrício Carpinejar, com seus textos e poemas deliciosos e provocadores, acerta em cheio até mesmo aqueles que dizem ter “coração peludo”. E é com as palavras que o poeta multimídia mostra que “é mais fácil ser feliz do que ser triste”, concordando com Vinicius de Moraes. Já discordando, em partes, de Tom Jobim, Carpinejar avisa que é possível ser feliz sozinho, “desde que aconteça a partilha do amor com os amigos, com a família, com o trabalho. Não é possível ser feliz com amor guardado”, afirma o cronista gaúcho.

Carpinejar é autor de mais de trinta obras na literatura, entre livros de poesia, crônicas, reportagem e publicações infanto-juvenis. O sucesso do jornalista não para por aí. Ele atua como comentarista no programa “Encontro com Fátima Bernardes” (Rede Globo), é apresentador da Rádio Farroupilha (RBS), colunista do jornal Zero Hora e de blog no jornal O Globo. Ainda sobra tempo para apresentar o talk show “O amor não é para os fracos”. Com frases copiadas e reproduzidas à exaustão nas redes sociais, não é à toa que Carpinejar é considerado umas das personalidades mais influentes da internet.

O poeta passou pela região com apresentações teatrais e conversou com a reportagem da Terraço sobre felicidade, amizades e amor divertido. Confira:

Em um mundo cheio de intolerância e ódio, como é fazer sucesso falando justamente do aposto?
Meu desejo é abrir espaço para a confissão. Falar é deixar de sofrer. A maior parte do sofrimento é imaginário, de coisas que podem acontecer e jamais vão acontecer. As pessoas estão sozinhas no mundo porque não têm ninguém para ouvi-las. Eu escuto com a atenção de quem assiste a um filme predileto. Toda vida me interessa e é um filme emocionante.

As pessoas vivem buscando felicidade e queixando-se da vida. Para você, existe um caminho que leve as pessoas para a tão sonhada felicidade?
A infelicidade é um hábito porque, ao prevenir o pior, só pensamos o pior. Felicidade vem de situações simples, que não dá para fazer uma postagem nas redes sociais. Estamos tão preocupados em aparecer que nos esquecemos do tempo caseiro da felicidade: de um cafuné, do prazer de andar de mãos dadas, da divisão de edredom no sofá, de uma comidinha com os restos da geladeira.

É possível ser feliz sozinho?
Sim. Desde que aconteça a partilha do amor com os amigos, com a família, com o trabalho. Não é possível ser feliz com amor guardado.

Quais são os erros mais comum em um relacionamento? E como fazer para evitá-los?
Acreditar que o outro sabe o que sentimos. Acreditar que amor é telepatia e que o nosso par precisa adivinhar os nossos pensamentos. Temos que falar e explicar como funcionamos. Se você ama alguém e essa pessoa lhe ama, custa ajudar, custa facilitar a vida, custa soprar as respostas no ouvido?

Qual a receita para encontrar e manter um amor divertido?
Rir dos próprios defeitos e falhas para não ser a perfeição em pessoa. Quem sempre critica e cobra não tem senso de humor e quer ser melhor que o outro, não ser melhor para o outro.
Carpinejar, você acredita que o termo “gratidão” esteja banalizado nas redes sociais? As pessoas o usam sem saber o seu real significado? Para você, há alguma diferença entre um simples “obrigado” e “gratidão”?
Muita diferença. Agradecemos para nos livrar da dívida, não para prestar homenagem sincera. Aliás, é mais difícil hoje agradecer do que perdoar. Agradecer é uma atitude espontânea, perdoar é vinculado a um erro. Quem agradece todo dia perdoa com mais facilidade. O agradecimento é a verdadeira humildade, é reconhecer o quanto dependemos de quem a gente ama.

Com as redes sociais, houve mudança nas declarações de amor?
Precisa ser fiel e leal na vida real e no Facebook, no Instagram, no Twitter e em todos os aplicativos. Não dá para fazer conversinha mole, usar os mesmos emojis e likes com estranhos e com quem namora, tem que postar declarações e fazer declarações ao vivo. Amar hoje é uma trabalheira. Requer esforço e atenção redobrados, no cotidiano e virtualmente. É muito fácil se separar e brigar, portanto acabou a possibilidade de vida dupla. Quem bobear ganha um par de chifres!! (Risos).

Muitas pessoas dizem que se não for cafona, não é amor. Você concorda? É possível amar sem cometer exageros?
É só pensar nos apelidos carinhosos dentro da vida de casal, cheio de diminutivos e de mimosidades. Amor feliz é breguice, é carro de som, é cartão infantil, é exagero, é brincar, é cantar desafinado.

Para você, amar é….?
Fazer quando não é visto. Nada mais lindo do que dizer eu te amo no ouvido da esposa quando ela está dormindo, sem ter certeza se ela ouviu ou não. Não fazer para ganhar recompensa. Ou como propaganda do próprio amor. Fazer porque gosta de fazer, gosta de cuidar, gosta de estar perto.

Você sempre teve facilidade para falar sobre comportamento, amor? Em que momento isso despertou na sua vida? Houve alguma razão específica?
Na minha infância, vivia sendo o melhor amigo da menina que queria namorar e era obrigado a ouvir o quanto ela amava um colega de turma. Desisti de ser bonzinho para ser verdadeiro. Só é sincero quem já quebrou a cara.

Você provavelmente deve ser muito procurado por amigos que desejam dicas de relacionamento. Mas quando você precisa de conselhos, quem te socorre?
Tenho meus melhores amigos: Zé, Mário, Francesca, Everton, Dudu. Amigos de toda a vida e que preenchem uma mão. Eles sabem o meu passado para nunca me deixarem repetir. O amigo é o nosso nobreak quando cai a energia.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo ↑