Entrevistas

Publicado em 13/05/2016

Hábito de compra muda com crise, aponta associação mercadista

Marcos Leandro Tozi - diretor Regional APAS (3)

Tozi aponta queda em vendas até o final do ano. Foto: OS2

Por Marcela Cortez

Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

O hábito do consumidor está diferente, é o que afirma a Associação Paulista de Supermercados (APAS). É que para se adequar a crise que o país está vivendo, economizar não tem sido uma tarefa fácil. “Em tempos de alta inflação – que corrói o poder de compra – faz com que muitas pessoas excluam itens que já estavam acostumados a consumir nos últimos anos”, afirma o diretor da entidade com regional em Sorocaba (SP), Marcos Tozi.

Outro comportamento adotado é a pesquisa de valores. De acordo com Tozi, há um raciocínio lógico para economizar: “Verifica-se pontos de vendas mais baratos; faz compras em determinados períodos do mês; opta por diferentes tipos de embalagens (com mais produtos e preço menor); trocam-se marcas convencionais por mais baratas e também deixam de comprar itens”, explica.

De acordo com o profissional, a alta dos preços influencia não apenas no comportamento, mas também reflete em vendas. “De todas as vendas nos supermercados, por exemplo, em um mês foram 30% gastos nos 10 dias do mês em 2014. Já em 2015, esse número sobe para 40%; ou seja, as pessoas concentram as compras no período inicial, assim aumentam seu poder de compra”, afirma.

A raiz do problema está na inflação, aponta Tozi. “Nossa economia está com o maior índice desde 2002. Considerando os preços calculado para este segmento do comércio, vê-se a segunda maior taxa registrada na história, iniciada em julho de 1994. Em todos os momentos o supermercadista desempenha papel importante nas negociações – oferecendo melhores condições para fornecedores e evitando o repasse dos preços”, diz.

A ação tomada pela associação é assumir uma postura que cobra melhora na gestão pública e o combate a corrupção – fatores atrelados diretamente a instabilidade. “A política econômica ao longo dos anos, tolerou erroneamente uma inflação mais elevada e persistente e também porque pesou a mão nos reajustes dos preços administrados em 2015”, explica Tozi.

A associação aponta que até o final de 2016, ainda exista uma queda nas vendas, acerca de 1 e 2%. “Estamos retomando lentamente a confiança dos empresários e consumidores, dada uma inflação menor quando comparada ao último ano. A expectativa da APAS para o final do ano é que a inflação esteja em 7,5% e o PIB (Produto Interno Bruto) registre uma queda entre 3 e 3,5%. Alguns entraves são também a carga tributária, gestões públicas, variação do dólar e as taxas de juros, que são fatores que exigem ainda mais poder de negociação entre supermercados e fornecedores”.



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