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Publicado em 02/09/2016

Exposição e mostras visuais marcam inauguração da Casa da Memória Negra

“Oi minha gente, é hora de inaugurá. A casa da Cultura Negra, que é um bem pra esse lugar”. Esses foram os versos cantados pelo grupo de Samba de Bumbo da Dona Aurora, que ecoaram pelo Museu da Cidade de Salto “Ettore Liberalesso”, na última semana, durante a inauguração da Casa da Memória Negra de Salto. Com entrada gratuita, a exposição permanecerá por quatro anos na cidade e é fruto da Bolsa Funarte para Artistas e Produtores Negros de 2014.

A exposição é e um mergulho na história da população na região, onde todos são convidados a fazer uma viagem no tempo, vivenciando temas importantes da cultura afro-saltense. Além da casa de pau a pique, construída exclusivamente para esta exposição, um dos destaques é o fogão à lenha, que une o universo tradicional dos tempos antigos com a modernidade da tecnologia. “Achei muito interessante este forno. Podemos tocar nesta tela “touch” e ver alguma das receitas feitas por moradores de Salto nos tempos antigos”, contou um dos visitantes.

O local também conta com uma videoinstalação que representa a árvore genealógica das famílias negras de Salto – imagens de africanos escravizados retratados por Rugendas, mescladas com fotos de ontem e de hoje. Há também um grande mapa que indica a rota da vinda da maioria dos africanos escravizados no sudeste brasileiro, e sua origem predominantemente banta. Ainda no exterior da casa, o visitante pode obter informações sobre a população negra da cidade em meados do século XIX.

“O conceito de “Casa da Memória” une história e cinema expandido, buscando levar o visitante a ter uma experiência imersiva, afetiva, refletindo sobre o que o forma cultural e ideologicamente. Na “Casa da Memória Negra de Salto”,  trazemos à tona a força dessa parcela da população ao longo dos séculos, e sua contribuição para o modo de ser e de viver de todos. Visitar essa casa é entrar em contato com a herança negra que todo brasileiro carrega”, contou a cineasta Lilian Solá Santiago, idealizadora da exposição.

Foto-Leonil

No interior da casa, fé, festas e comidas, revelam um cotidiano sacralizado. Teremos a presença dos antepassados, através de projeções, retratos, vídeos, objetos recolhidos entre as famílias, que retratam o modo de ser e viver no século XX. Para as crianças, foi planejado um espaço com livros infantis, onde as temáticas e os protagonistas são negros. Tudo nesse ambiente imersivo foi pensado para colocar o visitante no seio da cultura negra saltense.

A abertura da exposição contou ainda com a apresentação do Coral “Vozes Afro”, de Salto, e o grupo tradicional Samba de Bumbo da Dona Aurora, de Vinhedo.

A Casa da Memória está na Rua José Galvão, 104. Funcionamento de terça a domingo, das 9h às 17h. Entrada gratuita.

 



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