Maurício Mellone

Publicado em 29/03/2016

Boi Neon: Juliano Cazarré protagoniza filme sobre o mundo da vaquejada

Boi-neon-Site-Terr

Juliano Cazarré em Boi Neon: filme de drama brasileiro de 2016, produzido pela Desvia, Malbicho Cine e Viking Films e distribuído por Imovision.

Grande vencedor do Festival do Rio/2015 e premiado em mostras do exterior, o filme do pernambucano Gabriel Mascaro mostra o dia a dia de uma equipe que participa de vaquejadas pelo NE brasileiro

Com o ritmo calmo, sereno do sertão nordestino e poucos diálogos, o espectador mergulha no universo da vaquejada em Boi Neon, filme de Gabriel Mascaro que foi o grande vencedor do Festival do Rio do ano passado (melhor filme, roteiro, fotografia e atriz coadjuvante para a garota Alyne Santana), além dos prêmios em Veneza (diretor) e Toronto (menção honrosa).

Juliano Cazarré vive Iremar, um vaqueiro que trabalha para uma companhia que viaja o Nordeste brasileiro apresentando-se em vaquejadas, que são competições em que cavaleiros devem derrubar o boi puxando o rabo do animal. O curioso da trama é que tabus são questionados: Iremar adora costurar e seu sonho é tornar-se um estilista; já quem dirige e conserta o caminhão é Galega, interpretada pela atriz Maeve Jinkings.

O filme, uma coprodução Brasil, Holanda e Uruguai, é uma espécie de road movie, pois acompanha aquela trupe pelos Estados do nordeste nas apresentações das vaquejadas, além de focar o cotidiano deles entre um show e outro. Exatamente nestes intervalos que Iremar dá vazão a sua criatividade: recolhe por onde anda retalhos de tecidos, velhos manequins e, nas horas vagas, desenha seus modelos e costura trajes e o figurino que Galega se apresenta no palco. Quem praticamente é a sombra do vaqueiro é a pequena Cacá, filha de Galega, interpretada por Alyne Santana.

O roteiro, assinado pelo diretor, dá ênfase à quebra de expectativa com relação ao gênero: Iremar por mais que assuma cotidianamente funções rudes e másculas (trata e cuida dos bois), sua paixão mesmo é com as agulhas, tecidos e o mundo da moda. Já Galega, única mulher do grupo, é a responsável pela alimentação de todos, mas tudo o que se refere ao caminhão é de sua alçada. Junior (Vinícius de Oliveira), outro vaqueiro da companhia, também é vaidoso e cuida com esmero das longas madeixas.

A fotografia do filme encanta e ressalta as belezas do sertão brasileiro. Como a trama é o retrato do dia a dia daquele grupo de vaqueiros, a intimidade de cada personagem aos poucos é revelada — o banho dos homens chama a atenção pelo tom espontâneo da cena, assim como as cenas de sexo entre Galega e Junior e as de Iremar e Geise (Samya de Lavor), a vendedora de perfumes, que à noite é segurança de uma fábrica de tecidos. Sexo ainda é tabu, mas o diretor faz questão de salientar a naturalidade da relação sexual e o caráter animal do ato (temos prazer e desejos como todo o reino animal).

Boi Neon é mais um grande representante do pujante cinema de Pernambuco. Pena que está em poucas salas de exibição e, pior, em sessão única. Não deixe de conferir.

Fotos: divulgação  

mauricio

Maurício Mellone

Sobre Maurício Mellone:

Jornalista formado pela PUC-SP, tem mais de 30 anos de experiência e já atuou em revistas, jornais,
TV, rádio e assessoria de imprensa. Hoje é editor da revista Terraço e diretor do  blog www.favodomellone.com.br ,
em que escreve sobre programação cultural da cidade de São Paulo,  com dicas sobre teatro, cinema,  música, dança, literatura e artes plásticas.

 

Leia publicações anteriores do colunista:

Tags: , ,



Voltar ao topo ↑