Maria Clara Barbosa

Publicado em 23/05/2016

Ansiedade e a Síndrome do pânico

Hoje vou falar com vocês sobre dois dos quadros responsáveis pelos maiores sofrimentos psíquicos humanos, em minha opinião, que são: O Transtorno generalizado de ansiedade (TAG) e a Síndrome do Pânico.

question-1301144Ansiedade X Pânico

Primeiramente, precisamos diferenciar as crises de ansiedade das crises de pânico: as primeiras são ocasionadas por medos e expectativas diante de situações novas ou adversas. As pessoas portadoras do transtorno de ansiedade podem ser caracterizadas por uma ansiedade crônica – aquela que é constante – e, vez ou outra, vivenciam crises agudas, pontuais e com sintomas como: falta de ar, sensação de “bolo” no peito, palpitação, tonturas, enjoos, entre outros sintomas. Além disso, indivíduos portadores desse quadro possuem o que chamamos de “matriz desencadeadora” para o pânico. O que não quer dizer que todas as pessoas que possuem o transtorno generalizado de ansiedade vão desenvolver a síndrome do pânico, não! Apenas há uma predisposição. Mas o que é o famigerado pânico, afinal?

O pânico caracteriza-se pela somatória de todos os sintomas das crises agudas de ansiedade, como se todos esses sintomas fossem amplificados e seguidos de uma sensação de “sufocamento”, tremores, boca seca, falta de ar, suor frio, náusea, dor abdominal e palpitação –  em questão de minutos, levam a pessoa a perder a consciência da realidade e pensar apenas na iminência de sua morte. Além da sensação terrível e de extremo sofrimento, o que este quadro ainda mais temível é que pode apresentar-se do nada, em situações ou lugares mais comuns possíveis. Isso proporciona um medo arrebatador nos indivíduos que já o vivenciaram, justamente, porque ele aparece de forma “silenciosa”.

De crise de ansiedade para uma crise de pânico

A explicação que lhes forneci acima em nada diferencia de todas as explicações que vocês podem facilmente encontrar na internet, mas a ideia é ir a fundo e contar exatamente como passamos de uma crise de ansiedade para uma de pânico. Após atender dezenas de pessoas portadoras desse transtorno e saber que é comprovado na prática que o maior número de pessoas acometidas é o público feminino, pacientes homens são comuns também.
fear-198932Primeiramente, precisamos traçar um perfil bastante semelhante entre as pessoas que já vivenciaram um quadro de TAG – Transtorno Generalizado de Ansiedade, Síndrome do Pânico ou aquelas que possuem uma predisposição para o quadro: geralmente, pessoas altamente competentes, as mais inteligentes e capazes em suas áreas, dominadoras, controladoras e absolutamente ansiosas e imediatistas, que querem tudo pra ontem e somente confiam naquilo que o fazem. Delegar e confiar nas outras pessoas é realmente uma tarefa muito difícil e sofrida para elas – até por isso, na maioria das vezes venham a se envolver em relacionamentos amorosos ou amizades em que, de alguma,essas pessoas venham a depender delas.

Isso tudo, causa o “sufocamento” psicossomático tão comum no desenvolvimento do quadro; elas estão literalmente “sufocadas” e podem ou não perceber, até que as crises começam a aparecer e, ainda assim, muitas nem imaginam os motivos que as levaram a isso. Na maioria dos casos, são pessoas que tiveram um início de vida e relações familiares bastante difíceis e que não foram elaboradas corretamente pela psique – devido a todas as situações em que não se pode exercer controle quando criança, muitas vezes, o paciente cresce com a necessidade de controlar as outras pessoas e todos os processos a sua volta; inclusive as leis naturais da vida como a morte, doenças, sentimentos etc.

Identificação e Prevenção

inadequacy-447731Traçar o perfil desses indivíduos torna-se relevante para que as pessoas se identifiquem e prestem atenção as suas ações e sensações a partir de agora. Porém, como prevenir esse quadro? Em síntese, sugiro que você se observe nesse exato momento, procure ser muito honesto e sensível consigo mesmo e responda: Você têm sentido alguns desses sintomas iniciais descritos de forma pontual ou constante? Antes de passar por algo novo, como se apresentar em uma reunião ou trabalho de faculdade, sente algo do gênero? Todas as vezes que planeja algo diferente para sua vida, algum ou vários desses sintomas se apresentam? Você têm se sentido pressionado pela vida ou pelas suas relações? As pessoas a sua volta parecem te sugar e somente você consegue realizar tudo? Por isso mesmo sente muitos desconfortos físicos que não são normais, mas são tão comuns para você que já os encara com normalidade?

Bom, se respondeu sim para uma ou mais dessas perguntas, provavelmente esse é o momento de procurar desacelerar sua vida, procurando ajuda terapêutica para compreender onde começou todo esse comportamento, em qual ponto da caminhada você precisou acreditar que não poderia contar com mais ninguém a não ser consigo mesmo e, por isso, acredita ser possível ou responsável por carregar todo o peso do mundo sobre os ombros. Questões como essas são importantes serem trabalhadas terapeuticamente por profissionais experientes para proporcionar auxílio no processo de equilíbrio emocional e conduzir por uma caminhada nova e mais leve. Algumas mudanças podem não ser tão fáceis e, mesmo não desejáveis nesse momento, porém trata-se do seu equilíbrio e, nesse caso especifico, trata-se também de sua saúde e bem estar psíquico – as suas prioridades precisam ser bem estabelecidas e respeitadas para que possa evitar com segurança viver novamente crises de TAG ou pânico ou ainda vir a desenvolver o quadro.

Os Tratamentos para esses quadros, geralmente apresentam melhor resposta quando associados de forma multidisciplinar com apoio psiquiátrico e psicoterapêutico, embora realmente tenho obtido muito sucesso com pacientes que optam pelo tratamento não medicamentoso,  com técnicas terapêuticas alternativas, como: administração de florais, técnicas de relaxamento com hipnose ericksoniana, entre outras. A escolha é individual.

O que diz Maria Clara

Para finalizar, você precisa ter em mente que acima dos seus medos em relação à perda de controle da vida ou dos fatos e da insegurança em relação ao futuro e a realização dos seus anseios, com toda certeza precisa estar o seu desejo profundo de encontrar plenitude e felicidade em todos os processos da sua vida, porque inclusive as adversidades e as perdas podem nos trazer aprendizados positivos e pacíficos.

Somente após alcançar esse padrão de enfrentamento interno da vida, você poderá dar um adeus definitivo aos transtornos ansiosos, mas, isso é um processo pessoal e intransferível: não adianta esperar que aconteça do nada e muito menos que venha por mãos que não sejam as tuas e somente as tuas! A caminhada não é fácil, mas é absolutamente recompensadora quando se consegue! Pense nisso! Aproprie-se da sua cura e ela se tornará a sua realidade!

maria clara Maria Clara Barbosa é bacharel em Engenharia
Elétrica pela Faculdade de Engenharia de
Sorocaba. Mestra em Física Teórica pela
Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Coordenadora de atendimentos sociais. Pós
Graduada em Psicanálise, em Psicoterapia de  Casal
e Família, em Saúde Mental e Intervenções, além
de Especialista em Grupoterapia e  Arteterapia.
Psicanalista Kleiniana com Formação Internacional
em Florais da Califórnia,  Austrália e Bach, Master
Practitioner em Programação Neurolinguistica, Hipnoterapeuta  Ericksoniana, entre outros. Contato: (15) 3014-2277. Avenida Gal Carneiro, 803 – Sl

Facebook: Las Lobas – Sorocaba

Foto ilustrativa: Pixabay.



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